nenhuma intimidade
sábado, 27 de junho de 2020
Professora
Naquele dia eu saí exausto da imobiliária após uma longa discussão sobre o reembolso de despesas que tive no apartamento. Me perguntando quando compraria o meu próprio. "Comprar? O momento é pra vender e aplicar" ressoava na minha cabeça os concelhos da Tenente Marta no nosso último café. Enfim, também não tenho capital pra isso agora, refleti caminhando em direção ao carro que estava parado logo a diante. Fiquei pensando na ironia que é ter dinheiro e não ter dinheiro ao mesmo tempo. Quero dizer, ter capital que precisa ficar guardado. "Segurança" dizia meu pai, quando ainda nos falávamos. Foi quando me veio que não havia água em casa e que o elevador estava parado. "Que diabos" - pensei - "voltar ao início da rua". Sobre a imobiliária está um hotel de negócios bom e barato. Fiz o check-in e subi para o quarto levando a pequena maleta que carregava pra todas as viagens de negócios. No quarto interfonei pedindo uma refeição. "Não servimos" foi a resposta. É verdade, eu já sabia. Mas aquele dia e o estresse enfrentado pediam uma cerveja. Tomei uma ducha rápida e voltei pra rua. "Só uma cerveja" pensei entrando num velho bar, reduto de esquerdistas e famoso pelas esfirras. Achei uma mesinha bem próxima à calçada, fora da vista de duas beldades que conversavam animadamente. A cerveja veio gelada como sempre. Deslizei o dedo molhado na caneca pela tela do celular repassando a agenda do dia seguinte. Fui interrompido pelo prato que veio muito rápido. Enquanto eu saboreava a especiaria notei que as mocinhas se despediram, mas só uma deixou o estabelecimento. E também notei que ela me olhava enquanto eu me esforçava pra fingir que não percebia. Com o campo da visão vi uma figura despojada e sexy se aproximar com um sorriso e a clássica pergunta "lembra de mim?". "Claro que lembro, gostosa" pensei , sem ser capaz de verbalizar nada. Nosso grupo de trabalho terminara anos atrás e eu fiquei muito tempo pensando nela, comovido pela sua graça e beleza. Quando percebi que vacilava comecei rapidamente a pensar em uma resposta que não poderia vir de nenhuma maneira já que eu ainda não a encarara para verificar minha habilidade de me lembrar do rosto tão bem como apago nomes da cabeça. Sorri forçadamente: "claro, como vai?". Mão estendida, toquei sua mão gelada e úmida, as unhas por fazer. "Professora" - disse com um sorriso lindo, meio impaciente. "Sem tempo pra manicure". "Imagina" - respondi tentando parecer compreensivo - "não reparo nestas coisas". Mentira, reparava sim, apenas não julgava. Fiz o sinal pra que ela se sentasse comigo, prontamente atendido, no que sinalizei ao garçom mais uma cerveja. Num gesto de simplicidade ela se virou esticando o braço e alcançando o copo na mesa onde estava sentada. Encheu e quase o esvaziou de um gole. Pude notar o batom se desprender dos lábios finos ficando sobre o copo enquanto me perguntava se ela havia pintado os lábios para ir embora ou para aquela abordagem. Começamos a falar do nosso último trabalho juntos, um concerto em Fortaleza que me fez recordar seu nome, que fiz questão de repetir algumas vezes, mostrando interesse. Reconhecidas as partes ela entrou no discurso das más condições do ensino público que eu ouvia de forma realmente interessada. Finda a refeição eu sabia que precisava descansar e pensava numa forma de me despedir sem parecer grosseiro. Mas em meio a distrações acabei me levantando subitamente pra encarar de cima um decote tímido que mostrava pouco ou nenhum volume sob o tecido fino e, acima deste, um olhar curioso. Comecei o discurso de descansar para enfrentar a derradeira sexta-feira que se aproximava a galope. Ela também se levantou e se apressou para um abraço dizendo o quanto gostara de nosso encontro totalmente casual. E emendou um discurso falando de cada componente do nosso extinto grupo e o que cada um fazia da vida naqueles dias até que ela mesma se interrompe comentando que já me havia tomado demasiado tempo. Foi então que soltei um "imagina, incômodo algum, foi ótimo falar com você" e depois "vamos subir ao meu quarto, tomar mais uma cerveja?". Ela abriu a boca com intenção de dizer algo que não saiu. Abriu um pouco e fechava mas aparentemente o cérebro não conseguia produzir a palavra. "Estou em um hotel aqui em cima, meu ap está com problemas" - concertei. Ela corrigiu a postura e, tirando o casaco da cadeira, disse "Tá, vamos". Caminhei tranquilamente à frente tentando não transparecer minha surpresa em sua atenção ao meu convite até parar em frente ao carro. Abri com o botão do alarme. "Vamos entrar no carro assim não preciso te registrar na recepção". A esta frase sua única reação visível foi entrar no carro. Dei a volta na quadra e entrei na garagem do hotel enquanto ela revirava a bolsa e depois enviou um par de mensagens no celular. Subimos até o enorme quarto, ela sentou no sofá, ainda mexendo na bolsa. Deixei minhas coisas no balcão e fui direto ao sofá, parei em frente a ela e peguei suas mãos fazendo leve força para que ficasse de pé. Enquanto ela desencostava do sofá beijei sua boca. O beijo começou tímido, um tanto exitante e seguia lento e tenso. Larguei suas mãos que caíram no assento e peguei seus cabelos. Fui abaixando devagar amenizando os esforços de ambos naquela posição pouco confortável e fiquei de joelhos. Ela se empolgou e me abraçou, deixando mais intenso o cheiro do seu perfume que se misturava ao cheiro bom dos cabelos meio negros meio cor de rosa. Minhas mãos alcançaram suas coxas que se tornaram um pouco trêmulas. Coxas grossas e firmes sob um jeans justo. Subi as mãos e alcancei os botões da calça. Abri. Comecei a beijar a barriga próximo ao umbigo enquanto ela relaxava e escorregava no sofá. Desci as mãos para os sapatos que se desencaixaram facilmente do calcanhar. Puxei sua calça para baixo enquanto ela fazia movimentos para ajudar. E fui com a boca diretamente ao meio das pernas ainda sobre a calcinha, sentindo aquele cheiro igual e diferente, parecido e único. Quente, úmido estava o tecido da calcinha que coloquei de lado pra que a minha língua alcançasse o clitóris. Ela gemia baixo e continha os movimentos. Desci a língua para encontrá-la ainda mais molhada e fui penetrando com a língua enquanto minha boca roçava nos pelos recém raspados. Fiquei aí por um bom tempo até que notei que suas reações haviam estabilizado. Tentava ler seus sinais mas ia às segas. Ia mudando aos poucos os movimentos sem perceber mudança no seu comportamento. Então perguntei: "você gosta assim?". Sem resposta. Insisti com a sorte de movimentos que eu conhecia. O cheiro, o gosto, as coxas grossas que eu espremia com as mãos me deixavam louco. Peguei o preservativo e sentei no sofá enquanto tirava a roupa. Ela veio sobre mim me pegando e me chupando delicadamente, com gosto, de uma forma incrivelmente gostosa. Quando fez que ia parar coloquei o preservativo e parti para a penetração. Fizemos todas as posição eu sem entender se ela iria gozar. Ela não respondia às minhas perguntas sussurradas no ouvido e eu seguia achando que fazia o melhor. Coloquei-a de quatro no sofá avistando uma bunda que quase cobria meu campo de visão. Bati empolgado. Penetrei de quatro mas senti que não a alcançava tão bem nesta posição. Finalmente a virei de frente levantando as pernas e penetrando por baixo, gostoso, até que gozei. Pensei em perguntar se ela queria continuar. Eu estava curtindo demais mas mas não tinha certeza até onde era recíproco. Mas já tinha percebido que as perguntas não ajudavam. Decidi deixar ela falar. Mas minha espera alcançou um beijo gostoso e uma despedida calorosa. Não consegui dormir pensando em como nosso sexo poderia melhorar se ficássemos juntos já que, até aí, não havia nenhuma intimidade.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
negócios
Naqueles dias eu andava conturbado por um resultado ínfimo de vendas perto das novas metas lançadas pela diretoria da Hosters and Figures. “Surreal” eu repetia pra mim mesmo. Isto em mente, dirigia para o interior para uma reunião em uma indústria química. Negócio praticamente fechado, a decisão estava na mão de uma consultora que eu não conhecia e que sequer demonstrou interesse na apresentação comercial. Finas ironias da vida. Duas horas depois ali estava eu diante de um colosso dos medicamentos e insumos diversos. Portas fechadas, ar condicionado no máximo, estávamos mais uma vez frente à frente em uma mesa de reuniões de cadeiras altas e vidro temperado. Me questionei se aquele enorme tampo de vidro era simbólico quanto ao tamanho do ego dos proprietários. "O custo médio", ela perguntou. Iniciei uma explicação com base no imposto de renda da pessoa jurídica. Eu tinha certeza que aqueles lábios vermelhos expressavam um risinho de quem gostava da resposta, mas o rosto balançando na horizontal pedia mais explicações. A demonstração fluía como esperado, mas se desmembrou em muitos pormenores. Já estávamos exaustos. O diretor disse que precisava se ausentar devido a um exame da esposa grávida e pediu a emissão do contrato. "Já tenho o diretor geral na mão”, pensei, "agora é hora de usar o charme”. E eu estava convencido disso. Ela já havia tirado do rosto os óculos finos e esfregava os olhos num ato de reconhecido cansaço. Sugeri desligarmos o projetor e troquei de lado da mesa para me sentar ao lado dela. "Vou reduzir a luz da tela", sugeri, tentando passar por atencioso, enquanto um lobo rugia na minha cabeça, quase me arreganhando os dentes. Mas ao virar a tela para a esquerda meu pescoço levou meu olhar para baixo, para um vestido preto sobre pernas tão alvas que o contraste era gritante e sugestivo. Quando meus olhos subiram e alcançaram os seus, encontrou um olhar de ironia. Dei de ombros e retomei a explicação sobre alterações nos movimentos de estoque, com a última entrada atualizando o valor do item. Ela soltava um "uhum" de vez em quando que não me convencia. Eu sabia que estava frito e que precisava ser mais ousado. Pigarreando, tomei o copo de água e dei um longo gole até que se secasse. "Este copo era meu", ela disse enquanto soltou uma risada gostosa. Esta risada soou um alarme de submarino daqueles vermelhos com gente correndo pra todo lado e fez uma leva de sangue quente correr abdômen abaixo, alterando completamente minha postura. A esta altura eu já olhava para as paredes em busca de câmeras, tentando me convencer de que nada daquilo estava acontecendo. “Que clima gostoso”, pensava. Me desculpei e me ofereci para buscar um novo copo para ela. “À esquerda no corredor”, me orientou. Ninguém no ambiente, corredores vazios. Voltando à sala, sugeri a ela que pegasse o mouse e clicasse nos nós do relatório dinâmico. Coisa que ela fez com pouca ou nenuma habilidade. Depois de algumas explicações, eu mesmo peguei o mouse e terminei a tarefa, quase irritado com o que me parecia ser má vontade da pessoa. Mas havia um “porém” que quase não percebi por estar ligado no modo “demonstração”: ela não retirou a mão, que ficou sob a minha enquanto eu mexia. Voltei pra minha posição e, antes de prosseguir, olhei com o campo visual para o discreto decote que não deixava ver quase nada, mas cujo volume subia e descia num ritmo interessante: respiração ofegante. Olhei rapidamente nos olhos dela e vi desta vez um olhar hesitante, ironia e segurança, se estavam, foram desfarçadas ou removidas. Coloquei novamente a mão sobre a sua, desta vez sobre a esquerda que repousava sobre o braço da cadeira. Ela piscou os olhos de forma demorada. Segurei seu queixo e a beijei. A reação dela foi explosiva. Nos agarrávamos e ela só parou para limpar o batom, se desculpando de forma encantadora. Fui pra cima. Minha mão paseava sob o vestido preto de corte impecável, descobrindo formas que foram me levando à loucura. Não pude deixar de notar no detalhe os poucos pontos de apoio do vidro temperado da mesa, mas os quase 15 milímetros de espessura que parecia ter o material davam conta do recado. Foi então que a peguei pelos braços e a sentei na mesa. Me abaixei e arranquei sua calcinha, chupando-a de forma voraz. Ela gritava da forma mais escandalosa que lhe era possível e aquilo me enlouquecia. Abri a calça e coloquei o pau pra fora. E me dei conta que não tinha preservativos. Subi a calça outra vez e voltei a chupa-la enquanto segurava um riso nervoso. Ela então me interrompeu me puxando pela gola da camisa e soltou um incrível e irrebuscável “me fode”. “Não tenho preservativo”, justifiquei. Ela se levantou e pegou a bolsa, tirando uma pacote com 12. Rasgou rapidamente e me vestiu e me chupou com habilidades surpreendentes. Em seguida ela subiu a mesa novamente enquanto me puxava com as unhas cravadas no meu pau. “De volta à trincheira, soldado” ressoou na minha cabeça. Quando a segurei pelas pernas vi que não dava altura. A segurei colada ao meu corpo e a levei pra parede. Sustentando seu corpo pelas coxas para que a penetração começasse o mais suave. Ela me agarrava as costas com as unhas postas sobre minha camisa, num misto de dor e prazer, quase rasgando a camisa e a pele debaixo dela. A esta altura os movimentos já corriam frenéticos e ela gozou de forma intensa. Parei um pouco pra me recuperar do esforço extra que era sustentar aquele corpo para o qual não tenho adjetivos no português. No chão, ela teve uma atitude inesperada: tirou os sapatos. Abri a porta da reunião e a levei para fora. Sentada no sofá do saguão, eu já chupava seus dedos do pé enquanto massageava suas coxas. Ela gritava. A coloquei de quatro pra ver uma das cenas mais memoráveis da minha carreira: uma bunda perfeita. E a atividade não parou até que finalmente gosei. Mais tarde no carro ela falava sobre trabalho e as dificuldades que uma menina do interior enfrentou quando encarou a metrópole mais agitada da América Latina. A levei ao aeroporto regional já que ela quase perdia o voo. Ainda arriscou um beijo demorado, que para mim servia para me dizer nas entrelinhas “até nunca, bonitinho”. Dirigi por uma hora ao som de um tresloucado Ian Gillan e um memorável Unplugged MTV do Nirvana. Não pensava na voz rouca de um Cobain depressivo, mas naqueles olhos de cor indefinida e cabelos rebeldes. “Que mulher”, sem dúvida uma das melhores vendas dos últimos anos, me divertia e ria sozinho. Chegando em casa, cerveja aberta na mesa, teclado em punho comecei a redigir um e-mail final de fechamento, não podia esperar a manhã de sexta pra lançar um argumento final nesta negociação que mais parecia um filme de Tarantino. Mas não foi preciso. Um pop-up me alertava da nova mensagem da diretoria da Químia Souza Alves: “Prezado Sr. Sebastián, agradecemos imensamente pela atenção dispensada até aqui. Soubemos de nossa consultora que a demonstração foi das mais incríveis, mas que realmente o software não atende às nossas necessidades, quanto à aderência de processos e também quanto ao alto investimento”. A mensagem caiu como um balde de gelo despejado lentamente sobre minha cabeça incrédula. “Filha da puta” ecoou na cobertura do Avenida Peixoto, 200. Fiquei olhando incrédulo para a caixa de entrada quando novo pop-up pulou na minha tela com remetente desconhecido e assunto surpreendente: “cancele o fim de semana”. O anexo era um voucher com passagem e hospedagem pra São Paulo. E o corpo do e-mail, sem assinatura, sem sobrenome imponente, sem logomarca moderna, dizia apenas “vem me pegar, gostoso”.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
cinema
Outro dia fui ao cinema sozinho, um fim de semana insólito, desses que não se sabe se é melhor sair ou ficar em casa. Comprei um ingresso qualquer, me perguntava como pode o cinema ser tão repetitivo? Filme número dois, número três, sequências infinitas, remake não sei das quantas, um saco. Entrei em qualquer um esperando um pouco de distração. Não fora pelo sistema de cadeiras numeradas ela não se sentaria ao meu lado. “Moço, já começou?”. Ainda estávamos nos trailers. Moço é sinônimo de velho, pensei, olhando pra ela tentando sorrir de forma simpática. Ela riu de volta. Gostei daquele sorriso despreocupado e desinteressado. Eu a observava com o campo visual enquanto ela se remexia de um lado para o outro na poltrona, tirando celular, chiclete, uma infinidade de itens dos bolsos. Me pareceu estranho uma moça tão bem produzida não estar de bolsa. Trocou o copo de refrigerante de lado e colocou a pipoca na outra poltrona. Quando o copo assentou em seu sítio, algumas gotas espirraram no meu braço. Senti as gotas sem reação ou sem olhar para os lados. Ela não notara, não disse nada. As gotas frias se faziam distinguir por sua temperatura, assim, aos poucos fui perdendo a noção de quantas eram, e me gerou a curiosidade de olhar. Virei o braço e fui limpando com as mãos. Ela não me deixou terminar o movimento. Interrompeu com uma mão macia e gelada, limpando as últimas gotas e se desculpando. Segurei sua mão por um segundo, afastando-a e dispensando o cuidado. Não resisti à piada e infame e soltei um "cuidado moça". Ela deu risada. Parecia estar mesmo se divertindo. "Parece que a senhorita teve um bom dia, está de muito bom humor". "Senhorita?", perguntou, rindo de novo. Acrescentou que estava exausta e que chegara no meio da tarde de uma viagem, mas com a tensão do trabalho não conseguia relaxar, então resolveu sair do hotel para o shopping e pegar um cinema. "Então você não é daqui?" me ouvi perguntar. Ela explicava que estava há dois dias no hotel por estar pintando seu apartamento. "Está um completo caos". Escutamos uns resmungos, parecia que o filme havia começado. Ela falou algo sobre o carro parado na garagem do hotel. Mais resmungos. Nos entreolhamos e a mensagem fluiu clara. Ela pegou minha mão e saiu me puxando entre risos. A pipoca ficou pra trás. Conversamos demoradamente sobre amenidades, ela trabalhava como corretora de imóveis, se dizia recém separada, mas havia apenas juntado trapos, não se casaram realmente. Ficava vazio o shopping, nenhuma vontade de ir embora. O assunto fluía, artes, música, show de rock. Ela se lembrou que precisava tirar o carro e me pediu acompanhá-la. Chegamos a um modelo branco econômico, ela abriu a porta como que para se despedir. Parou no meio do caminho. Dei a volta e entrei também. Outra risada. “Não faz isso”, escapulia de seus lábios. Ficou olhando para o volante. Ligou e arrancou. Demos uma volta por algumas quadras, senti que estávamos em círculos, parou diante de um hotel e afinal disse "olha, você é legal, mas não vai sub..." Interrompi sua fala com os dedos e a trouxe pra junto de mim. Afastei os cabelos da frente dos olhos para olhar de frente e a beijei. Foi um beijo intenso como poucas vezes me recordo ter beijado. Nos abraçando, tirei seu casaco, então consegui sentir os peitos, pequenos, pele ainda mais macia. Fui beijando o pescoço, descendo ao colo, minha mão esquerda chegou ao controle do banco, que girou fácil, o encosto desceu rápido até quase tocar o assento de trás. Ela hesitou, um braço tentou me afastar sem força, sua boca ficou longe da minha. Então vim descendo para barriga. E beijei, beijei, roçava a barba em sua pele, arrepiada. De repente um salto, ela se recordara que estava no carro. "Pára! Não tem filme no vidro da frente", gritou. Me olhou confusa, ajustando o banco, olhando para fora do carro, olhava os retrovisores, rua deserta. Silêncio. Respirações ofegantes. Agarrei-a de novo e desta vez peguei sua mão esquerda que tentava firmar-se na poltrona e coloquei sobre meu membro. "Acho que tem alguém duro aqui", brincou. Abri sua calça e inseri dentro minha mão, massageando devagar sobre a calcinha, sentindo o calor húmido. Nos entregamos aos beijos novamente. Liguei o carro e ordenei que dirigisse. Não tirei a mão de dentro de sua roupa, beijando seu pescoço, agarrando seus cabelos. "Vire à esquerda, direita, direita...". Seguiam assim as indicações. Paramos perto do meu hotel, os beijos mais quentes, mais empolgados. "Que loucura" ela disse, "estão vendo a gente". "Isso é bom", falei, "é excitante". Ela concordava de forma quase inaudível. Depois de alguns minutos e alguns trâmites estávamos no meu quarto. Ela olhava curiosa, talvez tentando encontrar a cama ou algo equivalente. A levei para a sacada onde tirei sua blusa, abraçando-a por trás, as mãos passeando e conhecendo melhor aquele corpo. Sentei-a em uma das cadeiras abrindo novamente a calça e a puxando para baixo. Veio o primeiro orgasmo do sexo oral que eu fazia. A levantei, inclinando-a para frente, apoiada nas grades, e a penetrei. Ao redor janelas, luzes e mais luzes. Eu me sentia visto, me sentia sendo espiado. Como numa espécie de espetáculo anônimo. Gozamos quase juntos. A levei para o banho e a chupei novamente debaixo do chuveiro. Novo gozo. Fiquei por alí, sustentando as pernas trêmulas com um abraço desajeitado, enquanto tentava sentir um pouco daquele cheiro delicioso, disfarçado com a água que caía. Alguns segundos depois me encontrei chupando-a novamente. Novo orgasmo. Desta vez parece foi ainda mais intenso, ela não conseguiu conter a urina, um pouco mais quente que a água que caía, espirrada aos jatos. Ainda acho que foi extrema grosseria obrigá-la a ir embora no meio da madrugada.
sábado, 2 de junho de 2018
sem café
Soou o despertador, me movi com dificuldade na cama, rolando de um lado para o outro, celular em mãos. Ia do Twitter pro Insta e dali para o e-mail, sem forças, sem capacidade de reação. Olhei pro lado, sozinho na cama, ela se levantara mais cedo, imaginei. Tratei de ir pro banho, nos esbarramos em algum ponto do corredor, mal vi seu rosto debaixo dos cabelos molhados, jogados pra frente. “Bom dia”, grunhi. Tomei um banho rápido, ensaboando com pressa, pensando no horário. Desodorante, enxugar os pés, meias, cueca, calças e pra cozinha. Passei o olho pela sala procurando minha pasta. Aqueci um pouco de leite no microondas, mas fui interrompido pelo abraço. Subi a mão direita até os cabelos, já secos. Nos beijamos ali, diante de um microondas como testemunha. Mas não foi qualquer beijo, foi um beijo desses de saudades, de vontade reprimida, não atendida. Quando me dei conta já havíamos nos movido um pouco. Chegamos à mesa. A peguei por debaixo dos braços e a sentei na mesa, afastando um saco de pães e um pano de pratos. Desci para o decote de um vestido branco, florido, as mãos desatando o sutiã, beijando o colo. Uma vez desatados, os seios desceram um pouco para baixo, abaixei a cabeça e os fui beijando, mordiscando de leve os bicos. Olhei pra baixo e vi as coxas, as pernas entreabertas, que se despontavam do vestido. Deitei ela ali mesmo, tratando de levantar o tecido com cuidado enquanto mordia por sobre a calcinha. Me alegrei em perceber que não havia protetor. Fui mordiscando a calcinha enquanto ela gemia. Puxei e tirei a minúscula peça e comecei a chupa-lá com voracidade. Molhei o dedão ali e o escorreguei para baixo, fazendo-o entrar atrás sem dificuldade, enquanto a chupava. Ela delirava. Tirei o pau duro pra fora e comecei a penetração, devagar. Então percebi que a mesa era um pouco alta. Tratei de vira-la, puxando-a pelo vestido e deixando-a de pé, a fiz se recostar por sobre a mesa, começando a penetração novamente. Mais uma vez encaixei o polegar em seu ânus enquanto a penetrava, ela gemia, quase gritava. Tirei o polegar e beijei a bunda, lambendo-a o ânus e babando. Depois fui penetrando-o devagarinho, tentando me conter nos movimentos. Ela gritava de prazer Comecei um vai e vem de leve, ela afastou minha perna como quem pedia um segundo pra relaxar, mas logo me soltou. Comecei o movimento de novo, passei minha mão por baixo e comecei a massagear o clitóris, foram poucos segundos e gozamos como loucos. Em seguida cada qual em um banheiro, era nos aprontarmos para o trabalho. Não me recordo se comi algo, mas saímos sem o café.
curso de verão
Cheguei à faculdade com aquele ânimo de costume, procurando a sala correta pelos corredores vazios. Encontrei o número da sala que buscava, mas nenhuma atividades humana, somente insetos rodando em volta de lâmpadas e zumbidos vindos de equipamentos que eu não tinha certeza onde estavam ligados. Entrei na sala e avistei uma figura conhecida, sentada de costas, mexendo em cadernos. Me aproximei pra tapar-lhe os olhos em uma manjada brincadeira, mas ela se virou antes e me desfez a surpresa. Optei então por lhe abraçar devagar, matando as saudades de um período inteiro de férias forçadas. Abraço dado e bem recebido, fiquei ali respirando debaixo do corte chanel, meu rosto liso, barbeado, tocando o seu, e me envolvendo naquele perfume perfeito. Me deu tempo pra pensar na nossa a amizade e questionar meu envolvimento, minhas intenções, minha honestidade. Mas o abraço durava, durava. O perfume me envolvia e o calor aumentava. Meu rosto roçando no dela, não pude reparar que a respiração ficava ofegante. Sua boca buscou minha bochecha, num beijo tímido e inesperado. O abraço ficou mais quente, nos envolvemos naquele instante, o frio da sala, o silêncio, o cheiro que eu sentia daqueles cabelos. Apertando os braços e folgando, roçando os braços e o rosto, os beijinhos dela no canto da minha boca. Senti que o calor aumentava. Meus braços se moviam devagar, minhas mãos passavam pelos braços dela, me atrevi a abraçar por baixo da jaqueta, levantando a blusa, sentido a pele macia, a barriguinha levemente projetada para cima da calça. Ela fez menção de se levantar, mas desistiu sentindo o peso do meu corpo sobre seus ombros. Suas mãos agora subiam pelo meu pescoço, meus cabelos, a respiração cada vez mais ofegante. Não hesitei, desci as mãos, abri a calça com dificuldade e senti a barriga se projetando ainda mais para fora. Desci a mão direita pra dentro da calcinha. Estava levemente molhada. Fiquei passando o indicador e o médio por ali, em movimentos circulares, ambos os dedos tocando o clitóris. Enfiava o indicador muito pouco, quase nada, e o retirava mais molhado, insistindo nos movimentos circulares. Ela me agarrava cada vez mais forte e gosou muito rápido, quase sem respirar, tentando conter os gemidos. Custou alguns segundos pra relaxar, mas aconteceu. Estávamos quase no mesmo clima de antes, de abraço saudoso, quando ouvimos passos distantes. Nos desvencilhamos devagar e ela rapidamente levou as mãos para fechar a calça, quase sem me dar tempo de tirar a mão dali. Quando fui puxando os dedos pra fora da calcinha ficou mais evidente que estavam molhados. Não hesitei, chupei os dedos e coloquei as duas mãos nos bolsos da calça, sentando devagar enquanto ouvi a voz do professor resmungando ao ver somente dois alunos em sala.
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