quinta-feira, 31 de maio de 2018

suor

Saímos aquela noite para caminhar. O céu estava claro, com uma lua improvável. Aquela condição de pouco afeitos um ao outro, pouca ou nenhuma intimidade, quase me constrangia. Uma cidade grande como aquela, não quis permitr uma moça sair sozinha para jantar. Um cavalheirismo fora de hora que me custou o bom humor. Ela balbuciava amenidades. Eu me concentrava na lua. "Você pode me responder se gosta ou não de pizza?" Acordei com a pergunta repetida. "Sim, claro!" - eu disse. "Então vamos jantar aqui", disse ela já entrando em um fast food movimentado, a molecada esparramada, eu atrás tentando acompanhar, terminamos apertados em um balcão, de pé. Pedi algo com pimenta calabresa, a tônica citrus decia suave, calor infernal. Comemos rápido. "Vamos dar uma volta pra começar a queimar estas calorias", foi a sugestão dela. Virei para o lado contrário ao do hotel e ela veio me seguindo. Falou algo sobre rede de drogarias, impostos, minha mente divagava. Eu me convencia de que ter acabado sozinho, afinal, não foi tão ruim assim, incapaz de dar seguimento naquela conversa. A respiração ofegante me incomodava, era como um atestado do meu estar fora de forma. Segui firme, demos uma boa volta, o tênis ajudava. Meu celular vibrava no bolso. O medo de ser algum cliente chato fora de hora me impedia de olhar o aparelho. Quando finalmente me animei a tirá-lo da calça apertada, vi que a bateria minguava 5% de carga. "Não tenho ideia do que fiz com o carregador", soltei, "o meu é Android". Ela falou algo sobre estar com o telefone quebrado. Já passávamos pelo saguão do hotel quando ela me sugeriu subir ao 20º andar e pegar o carregador emprestado. E eu pensei: mais uns minutos com ela. Minha imensa falta de jeito com as mulheres estava gritando dentro do elevador. Ela disse algo sobre ter um carregador reserva na bolsa, "são como as sombrinhas", dizia. Aquele ar de confiança, de preparo, de planejamento, me inspirava certa admiração, mas eu preferia a tratar com deboche. Internamente, digo, pois era incapaz de expressar qualquer coisa que pudesse gerar um mínimo de desapontamento. Quando chegamos ao seu andar ela ficou parada na porta, o carregador em mãos, os braços cruzados sobre a jaqueta esverdeada, o logotipo esportivo fazendo uma curva no seio esquerdo. Ela então me perguntou se eu poderia olhar um gráfico antes de ir dormir. "Espera", ela disse, "vou abrir o note, venha cá, não precisa fechar a porta". Ela se desvencilhando de algumas peças de roupa jogadas sobre a cama, evidente que não contava com a minha presença. Puxou o fino equipamento de debaixo de um travesseiro. O joelho apoiado na cama, uma perna esticada, "que bela bunda", gritou uma voz que eu ouvia de vez em quando dentro da minha cabeça. Ela se virou com o equipamento fazendo ruídos e uma luz de tela na cara. Olhou de relance pra minha cara como quem quer dizer que percebeu que eu a olhava de costas. Meus olhos tentavam chegar àquela tela, mas paravam em um decote esverdeado, uma camisa de malha branca, limpa, gola V, esverdeada pelo reflexo da luz naquele casaco fino. Foi quando não resisti e toquei seu ombro. Apertei um pouco e disse que notava a tensão no rosto dela, naquele franzir de testa. Não sei de onde surgiu aquilo. Ela fechou um pouco os olhos, entreabrindo os lábios. Tentei convencê-la a ir dormir e deixar os número pra reunião de amanhã. Ela recusou a ideia. Peguei no outro ombro com a outra mão e de repente estava massageando seus ombros de frente enquanto ela piscava os olhos e abria a boca. Escutei o som do note se fechando, meus olhos estavam travados naquela boca perfeita, entreaberta. Aproximei minha boca do seus cabelos, como que tentando um beijo desajeitado na testa, aproximação suficiente apenas pra sentir um resto de cheiro doce de xampu, já cansado dos suores do dia-a-dia. Apertei um pouco mais seus ombros, ela soltou um gemido fraco, deixou cair o note e segurou firme meus braços. Enquanto eu massageava ela passeou até os cotovelos e daí pras minhas costas. Eu sem entender nada, forcei-a a se sentar, me abaixei e comecei a abrir o zíper do casaco dela, tentando me agachar, o joelho direito gritava. Nossas bocas se roçaram, senti um cheiro de pimenta com algum molho de tomate, sei lá. Desci para o decote, beijando devagar a pele, sentido o cheirinho bom, de um perfume que cedia ao calor dos intensos dias de verão daquela capital nortista. Fui abrindo o casaco enquanto beijava o colo levemente suado. Minha boca passeou por sobre a camiseta branca e chegou no cós da calça. Usei o nariz pra levantar a blusa e meus lábios tocaram sua barriga. Aquele calor intenso subia da pele e me atingia o rosto, os olhos, o olfato atento. Comecei a beijar com paixão e intensidade aquela barriga, passeando em torno do umbigo e fui abrindo a calça. Ela tinha as mão agarradas ao lençol e começou um movimento descontrolado, como quem tentava resistir a algo que queria muito. "Me deixe tomar um banho", ela disse. Eu não conseguia parar, consegui abrir o botão da calça com a boca, mordi o fecho do zíper, minhas mãos agora tentavam se desvencilhar das suas, mas quatro mãos se agarravam intensamente. Eu então cheguei a uma calcinha de algodão, como qualquer outra de algodão que eu já vi na vida, mas com um cheiro incomum, intenso. Cheiro de intimidade, de calor, de luta corpórea, de pudor versus vontade. Puxei a calça para baixo e, com extrema dificuldade e uma falta de destreza descomunal, afastei a calcinha para um lado e pude ver um fio transparente que pendia dos lábios para o protetor de calcinha. Comecei a beijá-la devagar. A cada toque ela respondia com um gemido agarrando-se aos lençóis, já totalmente deslocados. Comecei a trabalhar com a língua, dando voltas devagar enquanto soltava a calcinha e a calça, que ela já empurrara para baixo, enquanto minhas mãos procuravam as suas. Os movimentos circulares da língua foram dando lugar a um vai e vem, pra cima, pra baixo, de um lado para outro. Escutei um "assim, isso!", que compreendi de imediato. Nossas mãos agarradas davam suporte ao balanço que ela fazia, como se tentasse deitar e levantar ao mesmo tempo, apenas se apoiando na força dos meus braços. Eu lambia, chupava, enlouquecido por aquele gosto único, aquele cheiro. E assim fomos até que seu corpo se expandiu em um grito, um gozo, ela se enrijeceu e quase não pude sustenta-la. Minha boca lambuzada tentava se limpar, eu lambia os lábios. Meus olhos evitavam os seus, sem tentar entender o que acontecia e me apressei para um beijo. Um beijo intenso como poucos que recebi na vida. Foi quando me lembrei do vôo saindo às duas da manhã. Desci para o resto do corpo, tentando me despedir. Beijei de leve a barriga, sentindo a pele, os pelos, enfim. Me levantei. Visualizei por sobre a mesa o dito carregador, abandonado. Exitei em pegar, mas me apressei para sair, sem olhar pra trás. Me deparei com a porta do quarto ainda aberta. Um rapaz vestido de garçom passou em frente ao quarto olhando para dentro, bandeja em mãos, olhar de curiosidade. Soltei um "com licença" e fechei a porta na cara do rapaz. Esperei o som do elevador se fechar, abri a porta e saí apressado. Corri para o quarto meio atordoado, sem saber o que fazer com aquela energia. Precisava tomar um banho e arrumar as malas. Mais tarde no aeroporto, consegui comprar o tal carregador e ao conectar o aparelho à torre de carga do saguão de embarque, piscou na tela a mensagem dela "há 4 horas", dizia o app: "volta aqui, quero gozar de novo".

Professora

Naquele dia eu saí exausto da imobiliária após uma longa discussão sobre o reembolso de despesas que tive no apartamento. Me perguntando qua...