sábado, 27 de junho de 2020

Professora

Naquele dia eu saí exausto da imobiliária após uma longa discussão sobre o reembolso de despesas que tive no apartamento. Me perguntando quando compraria o meu próprio. "Comprar? O momento é pra vender e aplicar" ressoava na minha cabeça os concelhos da Tenente Marta no nosso último café. Enfim, também não tenho capital pra isso agora, refleti caminhando em direção ao carro que estava parado logo a diante. Fiquei pensando na ironia que é ter dinheiro e não ter dinheiro ao mesmo tempo. Quero dizer, ter capital que precisa ficar guardado. "Segurança" dizia meu pai, quando ainda nos falávamos. Foi quando me veio que não havia água em casa e que o elevador estava parado. "Que diabos" - pensei - "voltar ao início da rua". Sobre a imobiliária está um hotel de negócios bom e barato. Fiz o check-in e subi para o quarto levando a pequena maleta que carregava pra todas as viagens de negócios. No quarto interfonei pedindo uma refeição. "Não servimos" foi a resposta. É verdade, eu já sabia. Mas aquele dia e o estresse enfrentado pediam uma cerveja. Tomei uma ducha rápida e voltei pra rua. "Só uma cerveja" pensei entrando num velho bar, reduto de esquerdistas e famoso pelas esfirras. Achei uma mesinha bem próxima à calçada, fora da vista de duas beldades que conversavam animadamente. A cerveja veio gelada como sempre. Deslizei o dedo molhado na caneca pela tela do celular repassando a agenda do dia seguinte. Fui interrompido pelo prato que veio muito rápido. Enquanto eu saboreava a especiaria notei que as mocinhas se despediram, mas só uma deixou o estabelecimento. E também notei que ela me olhava enquanto eu me esforçava pra fingir que não percebia. Com o campo da visão vi uma figura despojada e sexy se aproximar com um sorriso e a clássica pergunta "lembra de mim?". "Claro que lembro, gostosa" pensei , sem ser capaz de verbalizar nada. Nosso grupo de trabalho terminara anos atrás e eu fiquei muito tempo pensando nela, comovido pela sua graça e beleza. Quando percebi que vacilava comecei rapidamente a pensar em uma resposta que não poderia vir de nenhuma maneira já que eu ainda não a encarara para verificar minha habilidade de me lembrar do rosto tão bem como apago nomes da cabeça. Sorri forçadamente: "claro, como vai?". Mão estendida, toquei sua mão gelada e úmida, as unhas por fazer. "Professora" - disse com um sorriso lindo, meio impaciente. "Sem tempo pra manicure". "Imagina" - respondi tentando parecer compreensivo - "não reparo nestas coisas". Mentira, reparava sim, apenas não julgava. Fiz o sinal pra que ela se sentasse comigo, prontamente atendido, no que sinalizei ao garçom mais uma cerveja. Num gesto de simplicidade ela se virou esticando o braço e alcançando o copo na mesa onde estava sentada. Encheu e quase o esvaziou de um gole. Pude notar o batom se desprender dos lábios finos ficando sobre o copo enquanto me perguntava se ela havia pintado os lábios para ir embora ou para aquela abordagem. Começamos a falar do nosso último trabalho juntos, um concerto em Fortaleza que me fez recordar seu nome, que fiz questão de repetir algumas vezes, mostrando interesse. Reconhecidas as partes ela entrou no discurso das más condições do ensino público que eu ouvia de forma realmente interessada. Finda a refeição eu sabia que precisava descansar e pensava numa forma de me despedir sem parecer grosseiro. Mas em meio a distrações acabei me levantando subitamente pra encarar de cima um decote tímido que mostrava pouco ou nenhum volume sob o tecido fino e, acima deste, um olhar curioso. Comecei o discurso de descansar para enfrentar a derradeira sexta-feira que se aproximava a galope. Ela também se levantou e se apressou para um abraço dizendo o quanto gostara de nosso encontro totalmente casual. E emendou um discurso falando de cada componente do nosso extinto grupo e o que cada um fazia da vida naqueles dias até que ela mesma se interrompe comentando que já me havia tomado demasiado tempo. Foi então que soltei um "imagina, incômodo algum, foi ótimo falar com você" e depois "vamos subir ao meu quarto, tomar mais uma cerveja?". Ela abriu a boca com intenção de dizer algo que não saiu. Abriu um pouco e fechava mas aparentemente o cérebro não conseguia produzir a palavra. "Estou em um hotel aqui em cima, meu ap está com problemas" - concertei. Ela corrigiu a postura e, tirando o casaco da cadeira, disse "Tá, vamos". Caminhei tranquilamente à frente tentando não transparecer minha surpresa em sua atenção ao meu convite até parar em frente ao carro. Abri com o botão do alarme. "Vamos entrar no carro assim não preciso te registrar na recepção". A esta frase sua única reação visível foi entrar no carro. Dei a volta na quadra e entrei na garagem do hotel enquanto ela revirava a bolsa e depois enviou um par de mensagens no celular. Subimos até o enorme quarto, ela sentou no sofá, ainda mexendo na bolsa. Deixei minhas coisas no balcão e fui direto ao sofá, parei em frente a ela e peguei suas mãos fazendo leve força para que ficasse de pé. Enquanto ela desencostava do sofá beijei sua boca. O beijo começou tímido, um tanto exitante e seguia lento e tenso. Larguei suas mãos que caíram no assento e peguei seus cabelos. Fui abaixando devagar amenizando os esforços de ambos naquela posição pouco confortável e fiquei de joelhos. Ela se empolgou e me abraçou, deixando mais intenso o cheiro do seu perfume que se misturava ao cheiro bom dos cabelos meio negros meio cor de rosa. Minhas mãos alcançaram suas coxas que se tornaram um pouco trêmulas. Coxas grossas e firmes sob um jeans justo. Subi as mãos e alcancei os botões da calça. Abri. Comecei a beijar a barriga próximo ao umbigo enquanto ela relaxava e escorregava no sofá. Desci as mãos para os sapatos que se desencaixaram facilmente do calcanhar. Puxei sua calça para baixo enquanto ela fazia movimentos para ajudar. E fui com a boca diretamente ao meio das pernas ainda sobre a calcinha, sentindo aquele cheiro igual e diferente, parecido e único. Quente, úmido estava o tecido da calcinha que coloquei de lado pra que a minha língua alcançasse o clitóris. Ela gemia baixo e continha os movimentos. Desci a língua para encontrá-la ainda mais molhada e fui penetrando com a língua enquanto minha boca roçava nos pelos recém raspados. Fiquei aí por um bom tempo até que notei que suas reações haviam estabilizado. Tentava ler seus sinais mas ia às segas. Ia mudando aos poucos os movimentos sem perceber mudança no seu comportamento. Então perguntei: "você gosta assim?". Sem resposta. Insisti com a sorte de movimentos que eu conhecia. O cheiro, o gosto, as coxas grossas que eu espremia com as mãos me deixavam louco. Peguei o preservativo e sentei no sofá enquanto tirava a roupa. Ela veio sobre mim me pegando e me chupando delicadamente, com gosto, de uma forma incrivelmente gostosa. Quando fez que ia parar coloquei o preservativo e parti para a penetração. Fizemos todas as posição eu sem entender se ela iria gozar. Ela não respondia às minhas perguntas sussurradas no ouvido e eu seguia achando que fazia o melhor. Coloquei-a de quatro no sofá avistando uma bunda que quase cobria meu campo de visão. Bati empolgado. Penetrei de quatro mas senti que não a alcançava tão bem nesta posição. Finalmente a virei de frente levantando as pernas e penetrando por baixo, gostoso, até que gozei. Pensei em perguntar se ela queria continuar. Eu estava curtindo demais mas mas não tinha certeza até onde era recíproco. Mas já tinha percebido que as perguntas não ajudavam. Decidi deixar ela falar. Mas minha espera alcançou um beijo gostoso e uma despedida calorosa. Não consegui dormir pensando em como nosso sexo poderia melhorar se ficássemos juntos já que, até aí, não havia nenhuma intimidade.

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