quinta-feira, 4 de outubro de 2018

negócios

Naqueles dias eu andava conturbado por um resultado ínfimo de vendas perto das novas metas lançadas pela diretoria da Hosters and Figures. “Surreal” eu repetia pra mim mesmo. Isto em mente, dirigia para o interior para uma reunião em uma indústria química. Negócio praticamente fechado, a decisão estava na mão de uma consultora que eu não conhecia e que sequer demonstrou interesse na apresentação comercial. Finas ironias da vida. Duas horas depois ali estava eu diante de um colosso dos medicamentos e insumos diversos. Portas fechadas, ar condicionado no máximo, estávamos mais uma vez frente à frente em uma mesa de reuniões de cadeiras altas e vidro temperado. Me questionei se aquele enorme tampo de vidro era simbólico quanto ao tamanho do ego dos proprietários. "O custo médio", ela perguntou. Iniciei uma explicação com base no imposto de renda da pessoa jurídica. Eu tinha certeza que aqueles lábios vermelhos expressavam um risinho de quem gostava da resposta, mas o rosto balançando na horizontal pedia mais explicações. A demonstração fluía como esperado, mas se desmembrou em muitos pormenores. Já estávamos exaustos. O diretor disse que precisava se ausentar devido a um exame da esposa grávida e pediu a emissão do contrato. "Já tenho o diretor geral na mão”, pensei, "agora é hora de usar o charme”. E eu estava convencido disso. Ela já havia tirado do rosto os óculos finos e esfregava os olhos num ato de reconhecido cansaço. Sugeri desligarmos o projetor e troquei de lado da mesa para me sentar ao lado dela. "Vou reduzir a luz da tela", sugeri, tentando passar por atencioso, enquanto um lobo rugia na minha cabeça, quase me arreganhando os dentes. Mas ao virar a tela para a esquerda meu pescoço levou meu olhar para baixo, para um vestido preto sobre pernas tão alvas que o contraste era gritante e sugestivo. Quando meus olhos subiram e alcançaram os seus, encontrou um olhar de ironia. Dei de ombros e retomei a explicação sobre alterações nos movimentos de estoque, com a última entrada atualizando o valor do item. Ela soltava um "uhum" de vez em quando que não me convencia. Eu sabia que estava frito e que precisava ser mais ousado. Pigarreando, tomei o copo de água e dei um longo gole até que se secasse. "Este copo era meu", ela disse enquanto soltou uma risada gostosa. Esta risada soou um alarme de submarino daqueles vermelhos com gente correndo pra todo lado e fez uma leva de sangue quente correr abdômen abaixo, alterando completamente minha postura. A esta altura eu já olhava para as paredes em busca de câmeras, tentando me convencer de que nada daquilo estava acontecendo. “Que clima gostoso”, pensava. Me desculpei e me ofereci para buscar um novo copo para ela. “À esquerda no corredor”, me orientou. Ninguém no ambiente, corredores vazios. Voltando à sala, sugeri a ela que pegasse o mouse e clicasse nos nós do relatório dinâmico. Coisa que ela fez com pouca ou nenuma habilidade. Depois de algumas explicações, eu mesmo peguei o mouse e terminei a tarefa, quase irritado com o que me parecia ser má vontade da pessoa. Mas havia um “porém” que quase não percebi por estar ligado no modo “demonstração”: ela não retirou a mão, que ficou sob a minha enquanto eu mexia. Voltei pra minha posição e, antes de prosseguir, olhei com o campo visual para o discreto decote que não deixava ver quase nada, mas cujo volume subia e descia num ritmo interessante: respiração ofegante. Olhei rapidamente nos olhos dela e vi desta vez um olhar hesitante, ironia e segurança, se estavam, foram desfarçadas ou removidas. Coloquei novamente a mão sobre a sua, desta vez sobre a esquerda que repousava sobre o braço da cadeira. Ela piscou os olhos de forma demorada. Segurei seu queixo e a beijei. A reação dela foi explosiva. Nos agarrávamos e ela só parou para limpar o batom, se desculpando de forma encantadora. Fui pra cima. Minha mão paseava sob o vestido preto de corte impecável, descobrindo formas que foram me levando à loucura. Não pude deixar de notar no detalhe os poucos pontos de apoio do vidro temperado da mesa, mas os quase 15 milímetros de espessura que parecia ter o material davam conta do recado. Foi então que a peguei pelos braços e a sentei na mesa. Me abaixei e arranquei sua calcinha, chupando-a de forma voraz. Ela gritava da forma mais escandalosa que lhe era possível e aquilo me enlouquecia. Abri a calça e coloquei o pau pra fora. E me dei conta que não tinha preservativos. Subi a calça outra vez e voltei a chupa-la enquanto segurava um riso nervoso. Ela então me interrompeu me puxando pela gola da camisa e soltou um incrível e irrebuscável “me fode”. “Não tenho preservativo”, justifiquei. Ela se levantou e pegou a bolsa, tirando uma pacote com 12. Rasgou rapidamente e me vestiu e me chupou com habilidades surpreendentes. Em seguida ela subiu a mesa novamente enquanto me puxava com as unhas cravadas no meu pau. “De volta à trincheira, soldado” ressoou na minha cabeça. Quando a segurei pelas pernas vi que não dava altura. A segurei colada ao meu corpo e a levei pra parede. Sustentando seu corpo pelas coxas para que a penetração começasse o mais suave. Ela me agarrava as costas com as unhas postas sobre minha camisa, num misto de dor e prazer, quase rasgando a camisa e a pele debaixo dela. A esta altura os movimentos já corriam frenéticos e ela gozou de forma intensa. Parei um pouco pra me recuperar do esforço extra que era sustentar aquele corpo para o qual não tenho adjetivos no português. No chão, ela teve uma atitude inesperada: tirou os sapatos. Abri a porta da reunião e a levei para fora. Sentada no sofá do saguão, eu já chupava seus dedos do pé enquanto massageava suas coxas. Ela gritava. A coloquei de quatro pra ver uma das cenas mais memoráveis da minha carreira: uma bunda perfeita. E a atividade não parou até que finalmente gosei. Mais tarde no carro ela falava sobre trabalho e as dificuldades que uma menina do interior enfrentou quando encarou a metrópole mais agitada da América Latina. A levei ao aeroporto regional já que ela quase perdia o voo. Ainda arriscou um beijo demorado, que para mim servia para me dizer nas entrelinhas “até nunca, bonitinho”. Dirigi por uma hora ao som de um tresloucado Ian Gillan e um memorável Unplugged MTV do Nirvana. Não pensava na voz rouca de um Cobain depressivo, mas naqueles olhos de cor indefinida e cabelos rebeldes. “Que mulher”, sem dúvida uma das melhores vendas dos últimos anos, me divertia e ria sozinho. Chegando em casa, cerveja aberta na mesa, teclado em punho comecei a redigir um e-mail final de fechamento, não podia esperar a manhã de sexta pra lançar um argumento final nesta negociação que mais parecia um filme de Tarantino. Mas não foi preciso. Um pop-up me alertava da nova mensagem da diretoria da Químia Souza Alves: “Prezado Sr. Sebastián, agradecemos imensamente pela atenção dispensada até aqui. Soubemos de nossa consultora que a demonstração foi das mais incríveis, mas que realmente o software não atende às nossas necessidades, quanto à aderência de processos e também quanto ao alto investimento”. A mensagem caiu como um balde de gelo despejado lentamente sobre minha cabeça incrédula. “Filha da puta” ecoou na cobertura do Avenida Peixoto, 200. Fiquei olhando incrédulo para a caixa de entrada quando novo pop-up pulou na minha tela com remetente desconhecido e assunto surpreendente: “cancele o fim de semana”. O anexo era um voucher com passagem e hospedagem pra São Paulo. E o corpo do e-mail, sem assinatura, sem sobrenome imponente, sem logomarca moderna, dizia apenas “vem me pegar, gostoso”.

Professora

Naquele dia eu saí exausto da imobiliária após uma longa discussão sobre o reembolso de despesas que tive no apartamento. Me perguntando qua...