sexta-feira, 8 de junho de 2018
cinema
Outro dia fui ao cinema sozinho, um fim de semana insólito, desses que não se sabe se é melhor sair ou ficar em casa. Comprei um ingresso qualquer, me perguntava como pode o cinema ser tão repetitivo? Filme número dois, número três, sequências infinitas, remake não sei das quantas, um saco. Entrei em qualquer um esperando um pouco de distração. Não fora pelo sistema de cadeiras numeradas ela não se sentaria ao meu lado. “Moço, já começou?”. Ainda estávamos nos trailers. Moço é sinônimo de velho, pensei, olhando pra ela tentando sorrir de forma simpática. Ela riu de volta. Gostei daquele sorriso despreocupado e desinteressado. Eu a observava com o campo visual enquanto ela se remexia de um lado para o outro na poltrona, tirando celular, chiclete, uma infinidade de itens dos bolsos. Me pareceu estranho uma moça tão bem produzida não estar de bolsa. Trocou o copo de refrigerante de lado e colocou a pipoca na outra poltrona. Quando o copo assentou em seu sítio, algumas gotas espirraram no meu braço. Senti as gotas sem reação ou sem olhar para os lados. Ela não notara, não disse nada. As gotas frias se faziam distinguir por sua temperatura, assim, aos poucos fui perdendo a noção de quantas eram, e me gerou a curiosidade de olhar. Virei o braço e fui limpando com as mãos. Ela não me deixou terminar o movimento. Interrompeu com uma mão macia e gelada, limpando as últimas gotas e se desculpando. Segurei sua mão por um segundo, afastando-a e dispensando o cuidado. Não resisti à piada e infame e soltei um "cuidado moça". Ela deu risada. Parecia estar mesmo se divertindo. "Parece que a senhorita teve um bom dia, está de muito bom humor". "Senhorita?", perguntou, rindo de novo. Acrescentou que estava exausta e que chegara no meio da tarde de uma viagem, mas com a tensão do trabalho não conseguia relaxar, então resolveu sair do hotel para o shopping e pegar um cinema. "Então você não é daqui?" me ouvi perguntar. Ela explicava que estava há dois dias no hotel por estar pintando seu apartamento. "Está um completo caos". Escutamos uns resmungos, parecia que o filme havia começado. Ela falou algo sobre o carro parado na garagem do hotel. Mais resmungos. Nos entreolhamos e a mensagem fluiu clara. Ela pegou minha mão e saiu me puxando entre risos. A pipoca ficou pra trás. Conversamos demoradamente sobre amenidades, ela trabalhava como corretora de imóveis, se dizia recém separada, mas havia apenas juntado trapos, não se casaram realmente. Ficava vazio o shopping, nenhuma vontade de ir embora. O assunto fluía, artes, música, show de rock. Ela se lembrou que precisava tirar o carro e me pediu acompanhá-la. Chegamos a um modelo branco econômico, ela abriu a porta como que para se despedir. Parou no meio do caminho. Dei a volta e entrei também. Outra risada. “Não faz isso”, escapulia de seus lábios. Ficou olhando para o volante. Ligou e arrancou. Demos uma volta por algumas quadras, senti que estávamos em círculos, parou diante de um hotel e afinal disse "olha, você é legal, mas não vai sub..." Interrompi sua fala com os dedos e a trouxe pra junto de mim. Afastei os cabelos da frente dos olhos para olhar de frente e a beijei. Foi um beijo intenso como poucas vezes me recordo ter beijado. Nos abraçando, tirei seu casaco, então consegui sentir os peitos, pequenos, pele ainda mais macia. Fui beijando o pescoço, descendo ao colo, minha mão esquerda chegou ao controle do banco, que girou fácil, o encosto desceu rápido até quase tocar o assento de trás. Ela hesitou, um braço tentou me afastar sem força, sua boca ficou longe da minha. Então vim descendo para barriga. E beijei, beijei, roçava a barba em sua pele, arrepiada. De repente um salto, ela se recordara que estava no carro. "Pára! Não tem filme no vidro da frente", gritou. Me olhou confusa, ajustando o banco, olhando para fora do carro, olhava os retrovisores, rua deserta. Silêncio. Respirações ofegantes. Agarrei-a de novo e desta vez peguei sua mão esquerda que tentava firmar-se na poltrona e coloquei sobre meu membro. "Acho que tem alguém duro aqui", brincou. Abri sua calça e inseri dentro minha mão, massageando devagar sobre a calcinha, sentindo o calor húmido. Nos entregamos aos beijos novamente. Liguei o carro e ordenei que dirigisse. Não tirei a mão de dentro de sua roupa, beijando seu pescoço, agarrando seus cabelos. "Vire à esquerda, direita, direita...". Seguiam assim as indicações. Paramos perto do meu hotel, os beijos mais quentes, mais empolgados. "Que loucura" ela disse, "estão vendo a gente". "Isso é bom", falei, "é excitante". Ela concordava de forma quase inaudível. Depois de alguns minutos e alguns trâmites estávamos no meu quarto. Ela olhava curiosa, talvez tentando encontrar a cama ou algo equivalente. A levei para a sacada onde tirei sua blusa, abraçando-a por trás, as mãos passeando e conhecendo melhor aquele corpo. Sentei-a em uma das cadeiras abrindo novamente a calça e a puxando para baixo. Veio o primeiro orgasmo do sexo oral que eu fazia. A levantei, inclinando-a para frente, apoiada nas grades, e a penetrei. Ao redor janelas, luzes e mais luzes. Eu me sentia visto, me sentia sendo espiado. Como numa espécie de espetáculo anônimo. Gozamos quase juntos. A levei para o banho e a chupei novamente debaixo do chuveiro. Novo gozo. Fiquei por alí, sustentando as pernas trêmulas com um abraço desajeitado, enquanto tentava sentir um pouco daquele cheiro delicioso, disfarçado com a água que caía. Alguns segundos depois me encontrei chupando-a novamente. Novo orgasmo. Desta vez parece foi ainda mais intenso, ela não conseguiu conter a urina, um pouco mais quente que a água que caía, espirrada aos jatos. Ainda acho que foi extrema grosseria obrigá-la a ir embora no meio da madrugada.
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